Meu nome é Cléo Aidar, vou completar 50 anos em abril de 2000.
Em 1981 por mera questão de vaidade decidi pelo uso da prótese de silicone.

Após 13 anos, em 1994, o meu médico ginecologista sugeriu a retirada das próteses devido ao enrijecimento do entorno das cápsulas, como também pela dificuldade de exames clínicos e da mamografia.

A seguir procurei um Cirurgião Plástico para que realizasse tal retirada, e, na cirurgia foram descobertos pequenos tumores supostamente malignos ( 4 a 5 mm de diâmetros), na mama direita. – O próprio Cirurgião Plástico aproveitando-se da oportunidade cirúrgica procedeu técnica de "Quadrantectomia" recomendada para tais casos, a fim de eliminar da melhor maneira possível traços visíveis da malignidade, evitando assim uma segunda intervenção na mama que deveria ser feita após a confirmação do exame patológico de rotina.

O resultado foi positivo. Não é preciso dizer que eu, meu marido e nossos filhos ficamos arrasados. Perdi uma de minhas irmãs, por descuido pessoal, deste mesmo mal. Para consolo emocional dado o pequeno tamanho dos tumores, de difícil constatação clínica, como também pela mamografia devido as próteses, estes ainda perdurariam por três ou quatro anos para uma constatação mais concreta, e, talvez com conseqüências terríveis devido a natureza invasiva constatada pelo exame patológico. – A pior sensação pela qual passa um ser humano é sentir-se irremediavelmente falível ao defrontar-se com um mal incurável (Essa é a primeira sensação!)

Submeti-me à duas consultas de grandes autoridades da Cirurgia Oncológica, suportada por especialista Clínico da Área. Duas condutas cirúrgicas influenciadas por "Escolas" diferentes:

  • A Radical : Mastectomia Total e Axilectomia, com reconstrução completa da mama

  • A Moderada : Devido a precoce descoberta fui informada que seria necessária apenas a Quadrantectomia, já realizada, e a Axilectomia.

Ambas prescreviam a Radioterapia seguida pela Quimioterapia.
Amparada por orientação clínica especializada optei pela intervenção mais moderada adotada pela UNICAMP.

A fisioterapia para a recuperação de movimentos do braço correspondente à axila recém operada é de suma importância.

A drenagem, indispensável, dessa região é uma fase um pouco desconfortável, e apreensiva porquê carece de manutenção doméstica, mas nada dramática quando se tem a colaboração do marido, ou de quem quer que seja em sua casa.

A sessões de Radioterapia permite-nos conviver com outras pessoas que vivem dramas semelhantes de recuperação e nos dá oportunidade de presenciar casos dolorosos deste mal que causa tanto traumas e, infelizmente, perdas.

A Quimioterapia, apesar de leve, no meu caso, dava-me indisposições e causava desconforto após um ou dois dias. Não tive perdas de cabelos. Mais tarde percebi ter entrado precocemente na menopausa e fui orientada clinicamente no sentido de amenizar as ondas de calor que ocorrem nessa fase da mulher.

O acompanhamento clínico do Oncologista, mesmo após ter encerrado o tratamento quimioterápico, é imprescindível e jamais pode ser desprezado.

Devo apenas adiantar que ao deixar o hospital, pós-cirurgia, em um sábado pela manhã, voltei a trabalhar na direção de minha empresa na segunda-feira, carregando discretamente o dispositivo de Dreno. – Devo ter causado algumas emoções entre meus colaboradores e clientes, mas isto foi de vital importância no meu Negócio, pois a confiança, ou a certeza, de continuidade de ação é importantíssima, uma vez que a notícia deste mal chamado Câncer causa traumas e uma sensação de fim... Jamais deixei que isso acontecesse... Eu não poderia perder essa partida. 
DEUS esteve do meu lado!

São Paulo 28 de Março de 2000.

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