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Em julho de 1993, senti algo duro no bico do seio direito, e como
eu tinha feito plástica para diminuir os seios (em 1989), pensei que
era a glândula mamária. Nasceu por fora um caroço, feito uma
espinha, fiz uma ultrassonografia e deu como tumor benigno. Marquei
cirurgia para tirar em fevereiro de 1994, e quando foi aberto tinha o
câncer atrás do bico do seio. O pai da minha médica quis tirar (ele
também é médico e estava ajudando na cirurgia), ela não deixou
porque não estava autorizada para fazer uma mastectomia. Mandou fazer
biópsia e deu o que eles já sabiam.
Meu marido buscou minha mãe para me dar a notícia, falou que
ela veio tomar café comigo, e eu já desconfiei deles chegarem
juntos. Não tiveram coragem de falar, ele foi levá-la em casa e
voltaram no mesmo instante. Mamãe falou:
- Tenho que lhe dizer algo sobre seu exame, e começou a chorar com
meu marido.
Falei: já sei, deu positivo, e por que estão chorando, morri?Só
Deus é imortal e não vou antes do meu tempo terminar aqui na terra,
vou lutar.
Busquei um oncologista, não que não tivesse confiança na minha
ginecologista, mas esse tipo de cirurgia tem que ser feita pelo médico
especialista, e além disso ele é mastologista . Entrei de novo na
cirurgia em abril de 94, deixei todos rezando, mas eu estava tão
tranqüila... Falei para o meu médico:
Olha o que você vai fazer comigo! Ele falou: “Vou aonde tiver
que ir para salvar a sua vida, deixe nas minhas mãos, depois você
faz cirurgia plástica.” Confiei.
Subi para o centro cirúrgico pedindo a DEUS que colocasse as mãos
DELE nas mãos do médico, foi uma cirurgia com sucesso. Meu tumor já
estava com 4cm e tinha mais 2 se desenvolvendo.Acordei com um bouquet
de rosas e um bilhete do meu marido e dos meus filhos dizendo que não
tinham me perdido num pedaço de carne. Chorei, mas resolvi lutar.
Eles torciam por mim e me davam força.Meu filho, que é
fisioterapeuta, me falou umas palavras que hoje sempre passo para as
outras pacientes.
"Deus nos fez com a face virada para frente pra olhar o
futuro, as tristezas nós deixamos de lado e as alegrias guardamos no
coração". Fui à luta, ninguém é digno de pena, nós somos
seres humanos que estamos aqui na terra pra cumprir alguma coisa.
Se você se passa por tadinha, tadinha você será. Comecei a
fazer quimioterapia, enjoava, perdi um pouco de cabelo, eu tinha
cabelos compridos e para não me abalar, cortei-os curtos e pintei de
louro, já que ia ficar careca, queria saber como ficava, eles não caíram.
Fiz também radioterapia e tomei Novaldex 20mg por 2 anos e 8 meses.
Quando queria entrar em depressão, me olhava no espelho e dizia: essa
não sou eu, colocava um batom e saía. Minhas amigas quando vinham me
visitar não me encontravam, continuava levando a mesma vida. Eu tinha
tanta fé em Deus, eu sentia que Ele olhava por mim e me dava essa força,
que eu conseguia passar para os meus. Em 1996, meu médico falou que
eu poderia fazer minha reconstrução mamária ,chorei de felicidade,
tiveram pessoas que não queriam que eu fizesse, mexesse em algo
curado. Não hesitei nenhum segundo, porque ninguém morre antes do
tempo. Mesmo que o médico falasse que eu ia morrer no dia seguinte,
teria feito hoje minha cirurgia. Fui para o Rio de Janeiro, não
gostei da médica, voltei para minha cidade e meu oncologista falou
que tinha um gaúcho muito bom em reconstrução. Sou muito de
empatia, marquei consulta e logo que o vi tive a certeza que sairia
vitoriosa. Passei por duas cirurgias, a mama foi reconstruída com
minha própria carne e com meu bico do seio esquerdo. Ficaram lindos,
já se passaram 4 anos que reconstruí. RENASCI, se tivesse que fazer
as cirurgias de novo, não hesitaria. Hoje dou suporte no hospital da
minha cidade, dou força para aquelas que estão passando o que passei
em abril de 94, e mostro que a vida continua, que ela não vai esperar
você ficar se lastimando. Deus sempre testa nossa fé Nele, e é por
isso que:
"ELE NOS FEZ COM A FACE VIRADA PARA FRENTE".
Linha
Mai / 2002
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