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Lisboa, Portugal
O
meu nome é Maria, e tenho 33 anos. Junto o meu depoimento a todos
os outros, porque acredito ser importante passar o testemunho a
outras mulheres que estejam ou tenham passado pelo mesmo. O ano de
2001 parece ter trazido tudo o que é de mal, felizmente está a
acabar e parece que o mal com ele há de ir.
Em Janeiro deste ano, diagnosticaram cancro de mama em minha mãe,
que foi operada no dia 15 desse mês e retirou apenas uma parte do
peito. Dos resultados, 7 gânglios estavam infectados, fazendo com
que começasse a quimioterapia em Fevereiro. Por esse motivo, e como
há já uns tempos que me queixava de um "desconforto" na
mama esquerda, pedi ao ginecologista uma mamografia, fez- me uma eco
que acusou uma mastite, e disse-me para não me preocupar,
que com anti-inflamatórios passaria.
Em
Maio voltei ao ginecologista, cirurgião que operou a minha mãe,
uma vez que as queixas se mantinham e havia agora uma pequena
deformação no mamilo (repuxado). Desta vez fui mais ouvida, e
pediu-me para fazer uma biópsia, uma vez que tanto a mamografia
como a eco nada de mal acusaram. Fiz, e dias depois soube que o
resultado era negativo, o que me aliviou. No entanto, e por insistência
do meu médico, fui operada no dia 11 de Junho. Sendo nada, abria e
fechava, se fosse maligno, teria que fazer mastectomia radical dada
a localização do nódulo.
Fui
operada, a minha mãe, coitada, sofria ainda mais, uma vez que
continuava com a quimio, e já tinha a mim a caminhar para o mesmo.
Acordei e agarrei logo na mão da anestesista, que me confirmou
terem retirado a mama esquerda. Fiquei sem palavras, sem saber o que
pensar. Um total vazio instala-se. A minha recuperação começou e
acabou bem porque logo no dia seguinte meti na cabeça que me havia
de curar.
Comecei
a fisioterapia e recuperei os movimentos do braço. Com o resultado
da análise, as noticias não foram más, não tinha nenhum gânglio
linfático infectado. Mesmo assim, o oncologista achou bem que
fizesse 4 sessões de quimioterapia (uma de três em três semanas)
e assim fiz, entre 2 de julho e 31 de Agosto.
Casei dia
8 de Setembro, eu e o meu namorado tinhamos esse plano e resolvemos
manter, mesmo sem cabelo nenhum e nem uma única pestana, uma
cabeleira e umas pestanas postiças arranjadas pela minha
cabeleireira resolveram a situação. O apoio dele, dos meus país e
dos meus 5 irmãos foi fundamental.
A
quimio não foi fácil, enjoôs, mal estar geral, vômitos... mas
cada tratamento era visto como menos um, era assim que eu pensava.
Dia 24 de setembro fui a uma consulta de grupo, para decidirem se eu
faria ou não radioterapia. Decidiram que sim. Fiz a radioterapia e
quando faltavam 3 sessões (de25) abriu-se uma ferida na região
abaixo da axila, fato que me obrigou a parar. Neste momento, a
ferida acabou por sarar. O que tive foi conseqüência de um
tratamento que tive que fazer, por isso tentei sempre pensar que
tudo ia correr bem.
Agora
em Novembro, já estive numa consulta de cirurgia plástica para que
a reconstrução possa ser feita para o próximo ano. Estou
confiante de que tudo correrá bem, e nem eu nem a minha mãe nunca
desanimamos. Ela acabou a quimio e a radio, já voltou ao médico e
estava tudo bem. Está como eu, a fazer hormonioterapia, eu por 2
anos, ela ainda não sabe por quanto. Já tenho cabelo, que para meu
grande agrado, parece estar a nascer mais liso (sempre tive muitos
caracóis e muita pena de não ter o cabelo liso). Tudo isto caiu na
nossa família sem que tenhamos conhecimento de nenhum antecedente
ou história familiar. Tenho mais 4 irmãs que claro, agora só são
mais vigiadas.
Muito,
tanto eu como a minha mãe, temos que agradecer ao cirurgião e
oncologista que nos têm acompanhado, sobretudo pela sua humanidade.
Se assim não fosse, penso eu, não poderiam ser profissionais desta
área. A todas as mulheres que estejam a passar por isso,
especialmente as mais novas, não desanimem, e nunca desistam nem
baixem os braços perante uma adversidade como esta. O apoio da família
e amigos é importante, mas o principal parte de nós mesmas. Eu e a
minha mãe fomos exemplo disso, por isso, coragem a todas.
Maria
Novl / 2001
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