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Meu nome é Márcia, moro em Paulo Afonso, na Bahia, e
há exatos 11 anos e 3 meses, descobri um nódulo na mama direita.
Estava
passando na televisão uma propaganda com a Cássia Kiss, sobre câncer
de mama, onde ela ensinava o auto-exame.
Foi
um choque para mim descobri-lo, e logo em seguida fui
a um médico, que me aconselhou a ir à capital, pois aqui não
havia recursos suficientes na época.
Pois
bem, fui até Recife, e lá a médica que me atendeu pediu-me
para fazer uma mamografia, que não diagnosticou nenhuma alteração,
mas o nódulo estava lá!. Então ela optou por retirá- lo, numa
cirurgia simples, em que eu não sofri nada, além da retirada do nódulo
que media 0,5 cm de diâmetro.
Foi
feita a biópsia, que diagnosticou carcinoma tubular infiltrante. Fiz
a mastectomia total no dia 11 de junho de 1990, aos 37 anos, por opção
minha, pois o médico falou em retirar apenas ¼ da mama. Após a
retirada inclusive da parte axilar, foi encontrada nela também células
cancerosas, em níveis altos.
Foi feita também a retirada dos ovários, que se encontravam com
cistos sem malignidade, graças a Deus. Fiz
a cirurgia numa segunda-feira, e na quarta-feira já fui para a casa
de uma sobrinha do meu marido.
Usei
o dreno durante 8 dias, e com 14 dias retirei os pontos.
Fui
muito bem acompanhada pelo meu marido e por todos os meus familiares e
amigos, que me deram muita força com palavras e orações.
Senti muitas vezes a presença de Deus na minha vida, o
que me deu forças suficientes para lutar e superar tudo.
Fiz
100 sessões de radioterapia, 6 de quimioterapia (mensal), não fiz
hormonioterapia e nem reconstrução.
A
reconstrução não fiz por escolha própria. Depois de 2 anos de
operada, optei por separar do meu marido, que apesar de ter sido muito
bom comigo, muito bom mesmo, continuava vivendo da mesma forma, muito
mulherengo. Aí eu vi que a minha vida era mais importante que tudo, e
se Deus me deu uma nova chance de viver, teria que ser com mais tranqüilidade,
ao lado dos meus três filhos, que são maravilhosos e a razão do meu
viver.
Acho
que tudo mudou dentro de mim.
Minha
fé em Deus se tornou maior. Às vezes digo que foi um puxão de
orelhas que Ele me deu, como Pai bondoso e misericordioso que é, para
que eu mudasse em muita coisa. Tornei-me mais humana, menos vaidosa
(pois eu era muito) passei a ver a vida de outra forma.
Vivendo
cada dia, como uma dádiva de Deus, agradecendo diariamente
a Ele por tudo.
Quanto à
minha vida doméstica, continua tudo da mesma forma. Cuido da minha
casa e dos meus filhos, e principalmente da minha vida.
Cada
vez que faço exames, claro, vem um pouco de medo, que passa antes
mesmo de ver os resultados, pois creio firmemente que Deus usou o médico
que me operou e acompanhou todo o meu tratamento, para que hoje eu
possa testemunhar do Seu poder e Sua graça.
Márcia
Out / 2001
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