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Estou com 56 anos de idade, há 8
anos atrás comecei a fazer um tratamento para menopausa com
hormônios, acompanhada por um ginecologista. Nunca tinha me sentido
tão bem como neste tratamento, sempre fazendo os exames de rotina a
cada 6 meses. Em dezembro de 1996 comecei a fazer os exames e tudo
estava OK. Em março de 1997, senti que tinha um caroço embaixo do
meu braço direito, perto da axila. Não doía mas incomodava; fui
ao ginecologista que me pediu para fazer uma mamografia dizendo que
não seria nada, talvez uma displasia. Na ocasião da mamografia a
médica me pediu os exames anteriores, eu levei numa boa, uma semana
mais tarde meu ginecologista entrou em férias, aí se passou mais
ou menos um mês, e no fim do mês de junho de 1997, meu
ginecologista entrou em contato para ir buscar os exames e levar a
um outro médico amigo dele (mastologista), para verificar melhor,
não me disse nada sobre a suspeita. Marquei hora com o mastologista
e mais uma vez fui na boa, nem sonhava com tal processo. Depois de
uma super consulta o diagnóstico: "A senhora precisa operar
urgente, é câncer de mama . . .". Fiquei prostrada, me
tiraram a terra debaixo de meus pés.Voltei para casa e neste dia
levei o meu neto junto com a minha filha ao pediatra e não comentei
nada com ela. Quando voltei para casa de noite o meu filho
perguntou: "Mãe o que deu os exames ?", aí comecei a
chorar muito queria um colo de mãe (que não tenho mais), em
seguida chegou o meu marido e disse: "Nossa, que cara, o que
aconteceu ?", eu lhe contei e ele ficou totalmente fora de si,
e me chamou a atenção porque tinha deixado chegar a este ponto,
nesta noite não dormimos, no dia seguinte contei para milha filha,
meu Deus o mundo desabou, parecia que eu já estava com a hora
marcada. Conversei com a minha cunhada, que também tem o mesmo
problema, e ela me indicou um outro médico. A esta altura o meu
médico já tinha todos os exames para cirurgia no dia 24/06/1997.
Outra amiga me levou em outro médico mastologista de sua
confiança, que me disse para fazer primeiro uma punção, e depois
iríamos resolver o que fazer; fiquei totalmente perdida, não sabia
o que fazer. Na saída deste médico fui direto para o Hospital,
fazer um mapeamento ósseo que o meu médico já tinha pedido, e no
caminho mais uma vez sozinha rezei muito e chorei bastante, quando
cheguei ao hospital, qual surpresa: o meu médico estava na porta
para ir almoçar, perguntei: "Porque não fazer uma punção,
para depois decidir?". Ele respondeu: "Pode ser
tarde". Fui em frente, internei no dia 23/06/1997 e no dia
seguinte fui operada, retirada total da mama direita, após o efeito
da anestesia ter passado, eu estava bem achei que tudo tinha
acabado, que após 6 meses eu faria uma plástica e tudo bem. No
segundo dia de hospital, recebi a visita de um médico clínico
oncológico que me disse: "A Senhora vai fazer 6 sessões de
quimioterapia", mais uma vez tive medo, não sabia o que era,
meu marido fugia do assunto sempre parecia que não me dava
atenção, me sentia sozinha, amargurada, triste, só chorava: era a
mulher mais infeliz do mundo. Voltei para casa com o dreno, fiquei
um mês com ele.
Ouvi tudo que se possa imaginar de
perguntas: bobas, idiotas e medíocres a respeito. Vinte dias após
a cirurgia fui fazer a primeira sessão de quimio, minha filha me
deu a maior força, meu filho idem e meu marido fugia como sempre.
Sabe, hoje eu falo com certeza a cirurgia não é nada, mas a
palavra "quimioterapia" me arrasou. Na 1ª sessão: fiquei
OK; na 2ª sessão: com a pele super ressecada e indisposta; na 3ª
sessão: me levou para o fundo do poço; na 4ª sessão: superei; na
5ª sessão: não queria fazer porque eu sabia as conseqüências; a
6ª sessão: última no dia 22/10/97.
Antes desta horrível surpresa eu
não trabalhava era, "dondoca", mas veio a crise e aí o
que fazer: ir a luta. Abrimos uma loja de cama mesa e banho. Hoje
trabalho quase 15 horas por dia, não sinto mais nada, há um mês
atrás fiz todos os exames novamente e tudo bem, Graças a Deus.
Gostaria que todas as pessoas que
passam por esse momento, acreditem que não serão as únicas,
tenham força, coragem e garra para suportar, batalhe sempre a favor
da Saúde e não contra, dando sorte para o azar valorizando
pequenas dores tudo vai passar, tenha força. E o principal não
deixe de pedir a ajuda a aquele que nos ama e nos entende.
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