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Tudo começou no dia em que perdi meu filho, estava grávida de 2
meses, tive um aborto espontâneo.
Fiquei
muito triste e cheguei a pensar que Jesus havia se esquecido de mim,
mas os meses que se seguiram se encarregaram de me mostrar o
quanto eu estava enganada.
Como meu marido e eu queríamos tentar outro bebê, marcamos uma
consulta com minha médica ginecologista, e como o bico de minha mama
esquerda estava com uma irritação que piorou na gravidez, pedi à médica
um exame de mamografia.
Insisti
no exame, já que das vezes anteriores com outros médicos este meu
problema nunca era levado a sério e a mamografia nunca foi
solicitada, pois achavam que era uma dermatite passageira, sem maiores
conseqüências.
Achavam
também que por eu ser muito jovem, a mamografia não iria ajudar
muito, pois a densidade da mama dificultaria a identificação no
exame de alterações iniciais significativas. Nem eu falando que
tinha caso na família, e que minha mãe havia morrido com câncer de
mama, conseguia convencer os médicos. Mas dessa vez foi
diferente, acabei fazendo a mamografia, que acusou microcalcificações
e calcificações. Até aí, achei que não era nada demais, pois a própria
médica me tranqüilizou dizendo que não deveria ser nada sério, e
me encaminhou a um mastologista de sua confiança.
O mastologista que cuidou do meu caso não poderia ter sido mais
humano e dedicado, tendo sido muito importante para que eu me
mantivesse calma e confiante de que tudo iria correr bem. Fiz a biópsia
em 21 de março de 2001, aos trinta e três anos de idade, quando
soube então do diagnóstico: um carcinoma de baixo grau (in situ) e
precisava agora fazer outra cirurgia para retirada da mama com
reconstrução imediata. Outra vez o cuidado do meu mastologista
foi de extrema importância, não só ao me dar a notícia, mas também
quando teve que me explicar tudo que teria que ser feito daí para
frente, para eu poder me livrar da doença.
Passei
a compreender muitas coisas na minha vida, principalmente o motivo da
perda do meu bebê, tudo ficou claro e pude entender todo cuidado
de Deus, que preferiu preservar a minha vida, pois o médico falou que
se a gravidez tivesse ido até o fim, era possível que o câncer
tivesse avançado por causa da carga hormonal.
A
cirurgia foi marcada para o dia 28 de abril de 2001, um sábado, e
durou quase 6 horas, foi cansativo não só para os médicos mas
também para todos meus familiares, especialmente para meu marido, pois
foi um período de tensão muito grande, afinal, eram duas cirurgias
em uma, pois além da retirada da mama estava sendo feita também a reconstrução
com o tecido do abdome.
Confesso que tive medo, sofri, chorei, tive medo de morrer, mas só não
me desesperei porque cria num Deus vivo, que tudo podia fazer, e fez.
Dias antes da cirurgia, Jesus havia me falado na Sua Palavra (a Bíblia)
que havia feito a ferida, mas que a ligaria, que depois de dois
dias me revigoraria e ao terceiro dia me levantaria. Cri de todo meu
coração na promessa do meu Senhor.
E
assim consegui superar o trauma da doença, da cirurgia, e também das
limitações dos meses seguintes, já que como tiveram que retirar o músculo
da barriga, perdi a força abdominal que tinha e tive que mudar alguns
hábitos do dia a dia, passando a evitar peso e outros excessos,
além de abaixar e levantar de frente como antes, agora preciso me
apoiar primeiro para depois levantar. Mas todo sofrimento valeu a
pena, a cirurgia foi um sucesso, o resultado não poderia ter sido
melhor e o principal, é que estou curada pela graça e misericórdia
do Senhor Jesus.
Não
precisei de radioterapia ou quimioterapia, pois o câncer felizmente
foi descoberto a tempo. Por isso, quero deixar um alerta a todas as
mulheres que venham a ler este meu depoimento, sobre a importância de
se cuidar e buscar a prevenção desse mal, que pode ser totalmente
curável se descoberto no início. Se constatarem algum nódulo, ou
alteração na mama, ainda que o seu médico não dê a devida importância,
insista num exame especializado, ou então procure outro médico. Não
subestime sua intuição, porque ninguém melhor do que nós mesmas
para conhecer o nosso corpo e saber quando algo não vai bem.
O mais importante, contudo, foi a minha fé no Senhor Jesus.
Foi fundamental acreditar que ELE estaria comigo, não só no momento
da cirurgia, mas em todos os momentos seguintes da minha recuperação.
Creio inclusive, que o músculo abdominal retirado para enxerto da
mama será restaurado por ELE o que ainda irei testemunhar para vocês.
Jesus
teve com certeza uma importância muito grande na minha vida. Não sei
o que teria sido de mim não fosse a esperança e o conforto que
tive Nele. Para o cristão a doença grave, e até mesmo a morte não
amedronta, pois o nosso Deus é maior do que tudo isso, ELE
venceu a morte e nos dá a vitória em todas as situações.
Jesus
me deu esta vitória e hei de lhe ser grata por toda a minha vida.
Filha
de Sião
Ago / 2001
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