Beja, Portugal

Descobri e confirmei no mês de Março/2001 que tinha cancro da mama. Tudo aconteceu demasiadamente rápido - quer o diagnóstico da doença, quer a intervenção cirúrgica - não me deixando qualquer hipótese para perder a esperança.

Para ser breve, o que me aconteceu foi que, após a biópsia, foi-me feita uma primeira intervenção cirúrgica, para ser removido o nódulo que foi enviado para análise, a fim de se confirmar se seria realmente um carcinoma.  O meu caso despertou alguma atenção no serviço de senelogia (oncologia) do hospital que me acompanhou, na medida em que, apesar de não ser raro, não é muito comum aos 24 anos. Depois de confirmados os resultados como positivos, uma semana depois, e um dia após fazer os 25 anos, foi-me feita uma mastectomia radical modificada. Na altura, o hospital não dispunha do serviço de cirurgia plástica para que pudesse ter logo a reconstrução mamária. Apesar de me ter custado saber isso nesse momento, fiquei mais tranqüila ao saber pelos médicos que a reconstrução até é mais aconselhada que seja feita após aproximadamente um ano da cirurgia.

Até a presente data tenho o melhor prognóstico possível.
O meu caso foi mais um que confirma que a rapidez e a persistência na atuação e na procura do médico são fatores determinantes para a cura. Além disso, tive a felicidade de ter sido sempre exemplarmente bem encaminhada pelos médicos e enfermeiros, levando-me a sentir uma grande confiança na equipa clínica, o que aumentou consideravelmente o meu ânimo face à doença e aos contratempos.
No meu caso, outros fatores existiram que tiveram uma grande importância para que não perdesse a esperança. Sem qualquer ordem especial de importância, foi o incansável e incomensurável apoio que tive da minha família, do meu companheiro, e dos meus amigos, bem como a minha fé em Deus, que vi reforçada neste momento tão delicado da minha vida.

De momento terminei os ciclos de quimioterapia, e vou iniciar outros de radioterapia. Espero, em poucos dias, retomar o meu trabalho e também os meus estudos, e continuar com a convicção de que o dia de amanhã vai ser melhor que o de hoje, embora muitas vezes possa acordar com a sensação exatamente contrária.
Ainda assim, acho que toda a nossa recuperação está em grande parte nas nossas mãos; temos de ter um espírito super positivo e não esmorecer nunca, nunca, para não degradarmos ainda mais a nossa qualidade de vida, porque para mau já basta o que temos de passar!

 

SR

Nov / 2001

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