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Perdi
minha mãe e minha primeira esposa de câncer de mama.
Quando
soube pelo médico que minha mulher estava com câncer de mama, não
pude conter meus pensamentos. Achava que mais uma perda aconteceria.
Resolvi depois de rodar muito com o carro, que desta vez seria
diferente.
Ao
chegar em casa e dar-lhe a notícia fui duro, reconheço. Doeu em mim,
mas eu a conhecia um pouco e sabia o tamanho da vaidade dela, do
quanto cultuava seu corpo, em especial seus seios, realmente belos.
Sofremos
juntos de modos diferentes. Durante esse processo, uma viagem marcada
e que deveria ter sido desmarcada aconteceu. Foi péssimo, pois
pouco usufruímos dela, onde o assunto era sempre o mesmo, o câncer.
Era
para durar 50 dias, mas voltamos depois de 25, eu não agüentava
mais, ela queria ir até o fim, só para ficar mais tempo com os
seios. Acabei com isso, pelo bem dela, que mais uma vez não
compreendeu, me chamou de insensível e outras coisas. Não me
importei.
Sempre
fiquei ao seu lado tanto no hospital como nas sessões de radio e
quimio. Ela reclamava de tudo e de todos, inclusive de mim. Eu não me
importei com nada.
Era
eu quem providenciava os presentes para médicos, funcionários que a
atendiam. Eu comprei todas as suas próteses, até hoje isso acontece.
Ela ainda criticava quando eu não acertava os tamanhos ideais. E
podem acreditar, demorei 8 meses para ela me deixar ver as cicatrizes.
Ela achava que só ela tinha ficado com cicatrizes.
Meus
enteados foram excepcionais, mas um estudava fora e o outro é casado
com uma moça tão vaidosa quanto Clara. Nem preciso dizer que ele
pouco a via. Agora melhorou, pois temos netos.
Fiquei
decepcionado com os amigos que julgava serem para todas as horas.
Contei com poucos, do meu escritório, mas que não nos conheciam como
casal. mas valeu.
Ela
se refugiou num mundo só dela, onde não havia lugar para mim. Éramos
recém casados quando tudo aconteceu, e eu achava que ao invés de
conhecê-la mais a cada dia, mais nos distanciávamos. Ela não se
abria, não conversava, sexo nem pensar.
Hoje
tudo está bem melhor, mas precisei de mais de 6 anos de paciência.
E esse
assunto não ficou de todo resolvido como ela pensa.
Ela
não entende até hoje o tamanho do meu amor.
Não
fiquei com ela por caridade, porque ficou mutilada (falou varias vezes
isso), ou por pena. Fiquei por amor, tão grande que me fez voltar
para a religião que havia abandonado para pedir por ela.
Nas
vezes que ficava calado era porque não sabia o que dizer, eu tinha
muito medo de perder novamente quem amava. Várias vezes, enquanto ela
dormia depois de passar mal nas quimios, me pegava pedindo a Deus para
que me ajudasse a ajudar ela do melhor modo. Quando ela colocava a
peruca e eu nada dizia, ela falava que eu não sabia de sua existência.
Eu só não queria que sofresse mais, estava sendo difícil para ela.
Nunca
permiti que ela fizesse a reconstrução. Não quero passar pelo medo
da perda de novo. Só apoio se ela quiser. Como ela não quer, então
está tudo bem, porque não quero que sofra mais nenhuma dor.
Fazemos
amor agora com mais qualidade, mas custou muito para nós dois. E
custou tempo também, mas eu soube esperar e não me arrependo. Meu
amor por ela continua o mesmo, porque reconheço que ela está melhor,
amadurecida e viva (principalmente).
Agradeço
vocês terem feito esta home page. Talvez se existisse há 16 anos eu
teria feito bom proveito dela. Muito pouca informação havia e ninguém
trocava experiências. Espero que outros maridos, desesperados por
medo de perderem suas esposas, possam se beneficiar das nossas histórias.
Se Deus quiser. Contem comigo.
Danilo
Abr / 2001
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