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Faziam três anos que minha mãe tinha ido ao
ginecologista fazer os exames de rotina, no entanto após uma consulta
ginecológica, alguns exames foram solicitados, entre eles uma
mamografia, que foi realizada. Quando fui buscar o resultado, observei
imediatamente no laudo a informação que atestava a existência de
dois nódulos, com os contornos espiculados, que deveriam ser
avaliados histopatologicamente. Sem dúvida, para mim, esse foi o pior
momento da nossa trajetória, e digo ainda que foi o dia mais triste
da minha vida (era dia 24/11/2000), e a partir da confirmação deste
diagnóstico, muitas outras conseqüências surgiriam.
Imediatamente telefonei para minha mãe, e sem rodeios comuniquei a
ela sobre o resultado. Esse momento foi muito difícil para nós duas;
em seguida entrei em contato com a médica marcando um retorno, e
nesse retorno ficou decidido que o próximo passo seria uma micro
cirurgia, para que fossem retirados os nódulos e assim avaliados
histopatologicamnete, o que aconteceu no dia 13/12/2000. Os nódulos
foram retirados e enviados ao laboratório para realização do exame
que confirmou a suspeita e diagnosticou carcinoma ductal invasivo
multifocal em dois nódulos medindo 1,0 e 0,8 cm, respectivamente.
Levamos o exame para a médica que muito nos ajudou, pelo fato de ser
muito competente e muito humana, e a sua orientação naquele momento
foi a de que a mastectomia seria o tratamento mais adequado para
o caso, pelo fato de serem dois nódulos, sendo conseqüentemente
multifocal, porém a decisão final só aconteceria no momento da
cirurgia, quando fosse realizada a biópsia de congelamento, a qual
certificaria a existência de outros filamentos neoplásicos, naquela
oportunidade a médica solicitou toda a série de exames necessários
para o rastreamento, os quais foram feitos com muita ansiedade, porém
com muita esperança.
A cirurgia de quadrantectomia, com esvaziamento axilar, foi realizada
no dia 10/01/2001, e minha mãe foi para a sala de cirurgia sem
sabermos exatamente qual o procedimento seria tomado, mas para nós,
naquele momento, o importante era que ela permanecesse viva e
superasse bem a cirurgia. Ficamos (eu e meu pai) no quarto aguardando
o resultado, a cirurgia transcorreu muito bem, minha mãe ficou poucos
dias com o dreno, e não teve nenhum sinal de infecção na área cirúrgica,
uma semana depois saiu o resultado da análise dos gânglios linfáticos:
dos 21 gânglios retirados, dois deles já estavam com metástase, o
que tornou a quimioterapia imprescindível.
Os procedimentos de quimioterapia e radioterapia foram iniciados em
fevereiro, minha mãe realizou ambos simultaneamente, o que a deixou
muito fragilizada, pois estava anêmica e o tratamento destruiu
excessivamente suas defesas orgânicas, o que fez com que o mesmo
fosse suspenso por mais de uma vez, sem falar na necessidade de uma
transfusão de sangue, realizada no decorrer do tratamento; seu cabelo
caiu quase que totalmente 20 dias após a primeira sessão da quimio,
foram seis sessões realizadas, a última foi no dia 19/06/2001, ocasião
em que sentimos uma enorme vontade de comemorar.
Minha mãe já realizou a primeira série de exames de controle, e graças
a DEUS está tudo bem, foi prescrito para ela uma dose diária de 20
mg de Tamoxifeno, pelo período de dois a cinco anos, gostaria de
ressaltar que todo este processo foi muito difícil para nós, pois
faziam apenas seis meses que meu pai tinha sofrido um infarto,
que como conseqüência o deixou com insuficiência cardíaca, por
tudo isso ainda estávamos muito fragilizados quando minha mãe
adoeceu.
Foi neste site que encontrei respostas para muitas dúvidas, cada
depoimento lido por mim me trazia sempre muita emoção, ele se tornou
para mim um amigo fiel, companheiro dos meus momentos difíceis.
Sofri muito com o egoísmo e a incompreensão de algumas pessoas, que
não entendiam a dimensão do problema, e achavam que eu me preocupava
desnecessariamente, neste contexto muitas vezes fui alvo de críticas
e censuras, mas confiei muito em DEUS, que foi o meu sustentáculo
nesta batalha. Nunca perdemos a esperança de que minha mãe alcançasse
a cura, o que realmente aconteceu, e apesar de muitas vezes ser
invadida pelo enorme medo de que a doença possa reincidir, confio em
DEUS que minha mãe ainda terá muito tampo para complementar a sua
jornada terrena com fé em DEUS. Hoje olho para ela e vejo os
seus cabelos crescendo, ainda tão ralos, mas para mim ela é como uma
criança, em desenvolvimento e com um belo futuro pela frente.
Vou encerrando, deixando os meus agradecimentos, em primeiro lugar a
DEUS, razão maior de nossa cura e de nossa existência, em segundo
lugar à médica mastologista, que realizou as cirurgias, e aos dois médicos
oncologistas que orientam o tratamento. À todas as mulheres que
passaram ou passam pelo problema, deixo minha mensagem de apoio, e de
que confiem sempre em DEUS, porque Ele não desampara a quem O busca.
Um grande abraço,
Rebeca
Nov / 2001
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